domingo, abril 30, 2006

Minha arma é forte feito espirro de criança


Não quero competir contigo
eu não caibo em tua moral
o meu vencer não te faz mal
o importante é ficar em paz

garanto que vou sair
do lugar onde estou
sem deixar de ser
este palhaço que te fala

assim minha alegria
minha tristeza mascara
a minha arma é forte
feito espirro de criança

tu podes acreditar
que minha postura
assim desmereça
a tua liberdade

porém minha cabeça
decifra minha verdade
e nela eu guardo amor


até a morte, última porta
eu me levo nessa via torta
sem medo de haver perdido.


sábado, abril 29, 2006





a liberdade quer
imaginação
para ser verdade.

segunda-feira, abril 17, 2006

cala-me boca

Como num castelo de versos
cabeça outrora adornada
por cobre e diamantes
mostrou-me sua urgência

mesmo por isso
caíram-se as rimas
e as ricas primas
decassílabas

'És o vermelho e o ritmo da mistura,
todavia, falta amor por tua presença
respeito por tua ancestralidade
e graça próprias, extraordinárias

Africanos, que um dia reinaram,
venderam seus irmãos às armas
tiveram depois seu dia de caça,
deveriam atentar à prepotência chinesa

Por que encravar tua bela face
na parede do museu do petróleo?
Em vez de tal, afunda a caravela
para que preserves o que teu

subverte a história,
ascende primeiro
vence os bárbaros, derruba
a empáfia norte-americana

Em buraco fechado mosca não entra
cala-me boca
sei que palavras dizer a ti, negritude
retém-me, porém, o cabelo alisado de tua irmã'.

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quarta-feira, abril 12, 2006

Apesar de tão jovem


Meu sorriso triste
minha cabeleira presa
minha alma presa
minha mente ilhada

deram-me a escada
e o céu não chega
por isso, eu digo
eu sei o que é

apesar de tão jovem
eu sei de onde viria
o amor que não senti

porém, ser tão jovem
é não saber ao certo
o que me encanta.

Duvida, vez ou outra

Tem fé no que aprendeste,
porém duvida, vez ou outra.
Teu sangue diz mais sobre ti
do que as lições da escola.

Já te perguntaste de onde vieste?
Quantas vezes tu quiseste ser
outra pessoa? Ora pois,
esta sua pretensão creoula
é a tua alma tupi quem dita
para te recriar feliz
sem crimes ou pecados
como manda teu figurino

Custas a te aceitar
e a tua alma brasileira
padece com saudades
de tua primeira encarnação.

Tu foste índio?

- Eu cri, tu creste?
- Cri. E daí?
- Daí, apareceu um cavaleiro e me disse: "sai!", e eu vim.
- Nada mais?

- Minha brancura arde ao sol.
- Tu és meio torto. Deve bater mais sol deste lado.
- Nem mo diga, dói muito, mas eu nem sinto.
- Que bom para ti. Em terra de índio tu serias gringo.
- E em não o sendo, sou cafuso, outrossim.
- Não fossem teus olhos, diria-te um preto albino.
- Já me faltava: albino?!
- Em terra de preto, olho apertado e cabelo crespo indica falta de cor.
- Mesmo branco não é branco, é meio rosa. E preto tampouco é preto, reparaste?
- Deveras. Ontem mesmo percebi que a roupa avermelhada avermelhava a pele da preta que vi na rua.
- E o verde esverdeia o branco, repara!
- Eu só acho que pele de índio não combina com azul.
- Mas, índio que é índio anda nu.
- Só se for lá, aqui mais não.
- Lá onde? Tomaram tudo, mataram todos.
- Tu foste índio?
- Eu, aqui, não. Mas, em terra de branco, quem usa enfeite é índio.
- Daí, é pouco dizer que tu não serias um deles, nativo.
- Pode ser. Todavia, o que fazer com a minha lourice?

Eu nem existo mais

Eu nem existo mais
me pedem perdão
por haver vivido
sem céu, sem chão.

Ninguém notou
meu grito perdido
o laço certeiro
boi abatido, peão

Ante minha peixeira,
metralhadora
ante minha fé,
televisão.

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sábado, abril 08, 2006

Também é minha tua ancestralidade


Preta, uma verdade
me diz teu olhar
Também é minha
tua ancestralidade

O primeiro humano africano
foi também o primeiro americano
Desde sempre, está parte da raça, preta,
amparada na fineza de tua mão.



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quinta-feira, abril 06, 2006

Entre nômades e bravos

Sertão de homem bruto conserva seu luto.
Astuto mameluco educado a viver pelo comércio.
Vaqueiro monta, a se perder, cavalo e mulher.
Na cama ou na grama, nômades e bravos
bateram-se com prazer ou a revés e assim
surgiram mamelucos a se tocar com os pés.

Não passou muito o tempo, logo estavam nascidos
menino e menina que mais tarde encontraram África.
Das diásporas nasceram um meio turco, meio japonês
enquanto o verde se atolava na lama dos lucros e dividendos.

Explorar, deter e somar a cabeça, o tronco e os membros
do homem bruto, aciganado, mameluco judeu do sertão,
sobre o qual recai sempre a questão: "Já se casou?"
Ainda não. "E tem dinheiro?!", outro pergunta.

Quem passar destas serras dará com padre e marginal.
Índio desta terra é o pai, cuspimos todos na cara do qual.
Mãezinha arreda a cadeira para se com os netos sentar
pai velho apruma a barba, tristeza e miséria, cusparada.

Por dinheiro se casa, por dinheiro se come, por dinheiro se fia
dignidade comprada sua sina, mameluco, sabia?

Pelo que você produz medem sua cidadania.
O quanto você compra diz o quanto você vale.

fotolog.com/muriloguimaraes

Rogamar e ROTT

Acho que há muito tempo não ouvia tanto dois álbuns inteiramente:

Morrissey. Admiro-o, delicio-me com suas canções. Estamos juntos, nessa.

Cesaria Evora. Grande cantora. Uma mulher com a língua clara, parece respirar o que entoa. Em mim, uma ligação com a memória da infância. Macarani dos meus sonhos. Algo assim. (rs) Rogamar é tão lindo quanto todos, porém alegre! Mais ainda do que o Jaques Morelembático San Vicente de longe em sua estranha incursão cubana... Rogamar, não. Já se sente um desgaste em sua voz, mas ela dá conta da festa. Ô se dá! Avenida Marginal é uma coladeira das melhores que ela já gravou, a meu ver. Muito lindo!


O álbum mais poderoso de sua carreira solo.


Dançar à Cesaria.


Menina de ouro azulada

Pela falta de verso
dou-te sugestão
apaga a televisão
o livro didático, evita

Crê no rito pagão
Adianta o mingau,
amassa teu barro
trança tua palha

Celebra tua gente
cultiva a memória
tua beleza, cafusa
será nossa glória.

Série RETRATOS




fotolog.com/muriloguimaraes


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